Os homens são simples e as mulheres…

Os homens são simples e as mulheres...

Esta é uma verdade que praticamente qualquer um de nós homens assume. Nós homens, na generalidade, somos simples. E para nós isso é bom. E é muito mais fácil. Simplifica-nos a vida e não nos dá dores de cabeça, muitas vezes desnecessárias.

Só que, por vezes essa, simplicidade traz-nos problemas. Especialmente se estivermos numa relação com uma mulher. Elas não vêm esse ser simples com bons olhos. Na realidade acham que somos demasiado básicos. Para ser sincero, alguns homens de facto são mesmo demasiado básicos e elementares. O que facilmente leva muitas mulheres a fazerem generalizações pejorativas do tipo: “os homens são todos iguais”.

Ora bem, para esta análise vamos apenas ter em conta homens equilibrados, com bom senso e que estejam de boa fé nas relações que mantêm. Ainda assim também esses levam com o rótulo: “básicos”. Porque é que isto acontece? Porque as mulheres são bem diferentes de nós. Elas pensam muito mais e em mais assuntos em simultâneo. Sem contar com a famosa memória de elefante pois lembram-se das mais ínfimas coisas que aconteceram nos últimos 20 anos, com um detalhe inatingível para qualquer homem. São aqueles momentos em que elas falam e nós ficamos perdidos no meio daquele desfiar de recordações que nos levam a pensar que estamos a atingir uma fase da vida em que já estamos a ser atacados pelo Alzheimer. Por outro lado, se nos lembramos, ficamos incrédulos de como é possível voltar a falar de um assunto que já estava resolvido, fechado numa caixa, arquivado e que de repente começa a floresce, novamente.

A questão é que face à nossa simplicidade contrapõe-se uma complexidade das mulheres. Nós homens, obviamente que não vemos isso nesta perspectiva tão lisonjeira. Também nós generalizamos o rótulo que lhes atribuímos e consideramos as mulheres complicadas. Ou dito de outra forma: “as mulheres são todas iguais”. Mas na verdade elas são complexas pois são, provavelmente, a única espécie de ser vivo no planeta Terra que consegue relacionar mais coisas umas com as outras e tirar inúmeras conclusões que podem ser certas ou equivocadas (nem sequer vou discutir isto). Até porque normalmente é território perigoso. Esta capacidade delas tem coisas boas, já que conseguem pensar em muito mais coisas que nós, dar conta de mais situações em simultâneo (veja-se a dificuldade que nós temos em cozinhar e tomar conta dos filhos ao mesmo tempo) e portanto é sem dúvida um mundo muito mais rico. Quando em excesso estragam tudo, entrando em stress e facilmente descambam em ansiedade. Isto altera a simplicidade que habitualmente os homens gostam de cultivar em tudo, e até mesmo entre eles. Razão pela qual nos dá tantas vezes vontade de estar só com uns amigos a beber uns copos e a falar coisas que parecem sem sentido para elas. Estamos no nosso momento de relax, em paz.

Esta diferença de ver e sentir o mundo, cria tensão nas relações entre ambos. Conduzindo a uma alteração na qualidade da atenção que cada um dá ao outro. Os egos acordam e ficam ativos num sistema de ataque-defesa e vice versa. Quebra-se a comunicação, entra-se no modo “amuanço” ou então fica exacerbada em modos exagerados de querer ter razão, normalmente defendidos em alto e bom som, no sentido dos vizinhos também ficarem a par do assunto. Daqui até se deteriorar a conexão entre o casal é um instante, refletindo-se desde logo no cessar de qualquer momento de intimidade.

Claro que isto é tudo ficcionado. Estas coisas não acontecem. É tudo uma invenção do autor que tem feito muitos cursos de Storyteling. Mas e se isto fosse verdade, qual seria uma possível e simples solução para isto?

Homens a aprender a serem mais atentos a tudo o que são as necessidades de apoio na vida quotidiana de uma mulher (apoio emocional, ajuda nas tarefas da casa, cuidar das crianças em alguns momentos do dia, perguntar-lhe o que ela precisa mais). Mulheres que percebam que quando estamos em stress não queremos criticas, discussões complicadas ou perguntas difíceis (em que é que estás a pensar?). Só queremos que nos apoiem e nos deixem estar na “caverna”. E que quando estamos bem, que desfrutem mais da simplicidade da vida connosco.

Será assim tão difícil de nos entendermos?

 

Ricardo Laranjeira

Second-life Coach

Men’s Evolution

Artigos relacionados

Sem comentários

Deixe um comentário